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Grândola, Vila Morena
Para mim, só há uma Grândola, Vila Morena…
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Zeca Afonso
25 anos após a sua morte, nunca é demais relembrar!

Aqui, um artigo interessante com alguns dos que partilharam o palco com este GRANDE senhor!
25 de Abril
E como hoje é um dia “especial”… ficam aqui umas músicas interessantes.

Vale a pena relembrar!
Um HOMEM com “H” grande! Um músico exemplar. Uma pessoa com uma visão do futuro.
E um GRANDE obrigado à RTP, por duas coisas:
1- A série “Conta-me como foi”, que hoje acaba (infelizmente)… foram vários episódios FANTÁSTICOS para retratar o que foi o nosso país durante a ditadura. Não perdi um único episódio. Vai ficar a saudade… mas fico a ganhar com tudo isto: CONHECIMENTO… bastante. Aprendi mais com esta série do que propriamente na escola. (não é exagero… não escapavam pormenores)
2- E pelo documentário que teve a sua estreia ontem e tem mais 2 episódios, Maior que o Pensamento, sobre o GRANDE Zeca Afonso.
Artigos relacionados:
Genial! Zeca Afonso……. SEMPRE!
Coro dos Tribunais – Zeca Afonso
Adoro esta música!
E ando com ela na cabeça e a assobiá-la há dias…
Coro dos Tribunais
(Letra de B. Brecht/adap. José Afonso/ Versão de Luís Francisco Rebello/ Música de José Afonso)
Foram-se os bandos dos chacais
Chegou a vez dos tribunais
Vão reunir o bom e o mau ladrão
Para votar sobre um caixão
Quando o inocente se abateu
Inda o morto não morreu
Quando o inocente se abateu
Inda o morto não morreu
A decisão do tribunal
É como a sombra do punhal
Vamos matar o justo que ali jaz
Para quem julga tanto faz
Já que o punhal não mata bem
A lei matemos também
Já que o punhal não mata bem
A lei matemos também
Soa o clarim soa o tambor
O morto já não sente a dor
Quando o deserto nada tem a dar
Vêm as águias almoçar
O tribunal dá de comer
Venham assassinos ver
O tribunal dá de comer
Venham assassinos ver
Se o criminoso se escondeu
Nada de novo acoteceu
A recompensa ao punho que matou
Uma fortuna a quem roubou
Guarda o teu roubo guarda-o bem
Dentro de um papel a lei
José Mário Branco
E porque adoro este poeta/cantor de Abril, aqui fica a letra (vinda de uma grande senhora, Natália Correia, da minha terra: São Miguel) que adorei:

Música: José Mário Branco
Letra: Natália Correia
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
Brutal, fortíssima mesmo!
Curiosidade acerca deste GRANDE senhor:
Em 2006, com 64 anos, José Mário Branco iniciou uma licenciatura em Linguística, na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Acabou o 1º ano, com média de 19,1 valores, sendo considerado o melhor aluno do seu curso [1]. Prémios que lhe foram atribuidos, rejeitou, dizendo que é «algo normal numa carreira académica».
Cristina Branco – “Abril”
Acabei de chegar do concerto de Cristina Branco.

A poucos minutos do dia 25 de Abril de 2009, foram tocadas/cantadas músicas do GRANDE José Afonso.
Fiquei com pena de Grândola, Vila Morena não ter sido tocada.
Resumindo, gostei do concerto, sobretudo por ter ouvido algumas músicas que adoro.
Mas também digo… nada como o Zeca… (estou a ouvir-te agora, precisamente: Grândola, Vila Morena)


Bom dia 25!

