Os enganos…
As moedas de Escudos eram semelhantes com algumas da actual, Euro.
Para os vendedores:
50 escudos passaram a 50 cêntimos;
100 escudos passaram a 1€;
200 escudos passaram a 2€.
Com isto tudo… passaram a ganhar a dobrar.
Para o comprador:
Passou a não se preocupar realmente com o que comprava, por culpa da preguicite-aguda ao fazer a taxa de conversão. Ora, passou a comprar (quase) tudo com os valores a dobrar.
Resultou em quê?
Para os vendedores, chegaram à conclusão que geriram mal os seus negócios, que foram pedindo sempre a dobrar. E, hoje, estão às moscas porque… (passar à linha abaixo)
Hoje em dia os compradores andam a contar trocos e, certamente, aperceberam-se agora de que a vinda do Euro veio estragar Portugal inteiro. Também é verdade, mas por culpa de quem não soube gerir bem as suas moedinhas novas!
O porquê deste artigo?
1- Há muito que tinha estes pensamentos acerca do Euro… mas nunca me tinha apetecido escrever sobre eles;
2- Li uma notícia na Visão, precisamente com este tema, que veio, obviamente, comprovar a teoria… que é do mais simples que se pode ter, mesmo não gostando de Matemática. São só umas continhas que muitos portugueses evitaram fazer ao longo de 10 anos de Euro.
Portanto, abaixo ficam uns valores deveras interessantes (nada que não tenha referido acima).
Por exemplo era possível ver um pastel de nata passar de 50 escudos para 50 cêntimos”, recorda o secretário-geral da Deco, Jorge Morgado. Segundo o responsável pela associação, que há dez anos acompanhou o fenómeno da variação dos preços, “muitas das pequenas despesas, que custavam até 100 escudos (50 cêntimos), duplicaram”.
Um café rondava os 50 escudos (25 cêntimos) mas, com a chegada do euro, passou automaticamente para 50 cêntimos: “Houve alguns reajustamentos fora do normal. Os arredondamentos eram sempre para mais, mas depois os preços mantiveram-se durante muitos anos”.
As pessoas que antes davam 20 ou 50 escudos ao arrumador passaram a dar 50 cêntimos e deixar um ou dois euros de gorjeta num restaurante passou a ser normal.
Abaixo, parte do texto que discordo totalmente!
Mas o fim do escudo não significou carteiras mais vazias, segundo Jorge Morgado, que recorda que “nos primeiros anos não houve um índice inflacionista”: “Por exemplo, um quilo de maçãs, um quilo de carne ou de arroz não tiveram agravamentos substanciais. A roupa e calçado até ficaram mais baratos”.
Porquê?
Porque, apesar de as roupas/calçados terem ficado mais baratos (e disto não tiro o chapéu a este senhor Jorge Morgado… Temos as pequenas coisas (que são MUITO mais frequentes serem compradas – como um café, uma água, etc) que foram, literalmente, duplamente inflacionadas!
E são estas coisas (a meu ver) que estão a sair das rotinas dos Portugueses (gorjetas, cafés, etc).
Mais… com esta de as roupas/calçados mais baratos, acontece(u) que muito boa gente decidiu: OK, agora vou fazer vida de lorde, comprar mais roupas/calçados… e continuar com os meus cafés matinais.
Esquecendo-se, pois, que mais tarde as coisas iam bater mal.
E, no fim da história, ainda há gente que nem sequer se deu ao luxo de enganar os clientes e duplicar os preços…
Na “Antiga Confeitaria de Belém”, a centenária pastelaria que vende os famosos Pastéis de Belém, os preços também não foram alterados com a mudança da moeda. O sócio gerente João Pexita ainda se lembra do tempo em que um café custava 90 escudos e um pastel 140 escudos, “quando chegou o euro, o café passou para 45 cêntimos e o pastel para 70″. Hoje, beber um café naquela pastelaria custa 70 cêntimos e um pastel 95 cêntimos.
O Euro teria sido uma boa moeda, sem dúvida… se tivesse sido bem aproveitada.
Contudo, quem fez muito bem foi o Reino Unido, que agora diz-se fora desta luta…