Matou e é culpado?

Estou eu, no meu próprio lar, sou confrontado com um intruso e tenho uma arma na minha mão… o que é que vou fazer?

Não penso duas vezes:

- Ou sai a “bem”, com uma bala cravada no joelho e numa mão, chamando depois a polícia;

- Ou sai menos “bem”… com uma cravada na testa.

Porquê este texto acima?

Pela notícia (fonte) abaixo:

Um ourives alvo de roubo à mão armada foi acusado de homicídio pelo Ministério Público, por ter disparado e provocado a morte de um dos assaltantes. Tudo aconteceu em Julho, num ataque à Ourivesaria Vilaça, na Trofa.

Apesar da resistência de Fernando Vilaça, de 57 anos, os assaltantes acabaram por fugir com artigos de ouro no valor superior a 204 mil euros.

“Abre o cofre!”, disse-lhe um dos quatro assaltantes, apontando-lhe uma caçadeira. “Não sei…”, respondeu o ourives. “Então mata-se já o filho da p…”, retorquiu o agressor, descontrolado. Segundo a acusação do Ministério Público de Santo Tirso, foram os colegas que impediram-no de disparar, colocando-se todos em fuga, com sacos cheios de peças.

De imediato, todos fugiram aproveitando a “boleia” de um quinto comparsa, que vigiava os movimentos na rua, com um Renault Megane a trabalhar – e que fora roubado horas antes, em Paços de Ferreira, por “carjacking”. A esvair-se em sangue, o assaltante atingido, de 18 anos, acabou por morrer cerca de uma hora depois.

Mesmo com o colega às portas da morte, o grupo não parou o raide de assaltos. Perante a falta de gasolina no Megane, roubaram, na Maia, um furgão “Volkswagen Caddy”, no valor de 10 mil euros. Depois, deixaram o colega morto à porta de casa, no Bairro de Carreiros, em Rio Tinto, Gondomar, ao qual estavam ligados (ver página ao lado).

Enquanto isso, o ourives vai responder por crime de “homicídio privilegiado”. Uma espécie de ilícito prevista na lei para os casos em que a actuação surge num estado de “emoção violenta, desespero ou motivo de relevante valor social ou moral, que diminuam sensivelmente a culpa” e é punível com prisão entre um a cinco anos.

E eu afirmo… é a nossa “fantástica” justiça a “funceminar”!

Uma vergonha!

Quer dizer… apontam-me uma arma e vou ficar à espera que disparem (como este, que tentou defender a fábrica do amigo)?!

Desculpe?

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